domingo, 9 de dezembro de 2012

Qual o significado da brincadeira com bonecas ?

Senso comum era, até hoje, que a brincadeira de bonecas para meninas e a de soldadinhos para os meninos era um preparativo para a realidade.

A finalidade das brincadeiras

No princípio de sua vida, a criança precisa tomar contato com o mundo, com a realidade. Mas as entidades que compõem a realidade são muito cheias de detalhes, e expressam-se por si mesmas. A criança não vai conseguir captar todos os atributos das entidades. Assim, o brinquedo, por ser um "modelo estático", além de estar em uma proporção não tão avantajada quanto a coisa real, é passível de manipulação, de percepção e de entendimento.

Os carrinhos de brinquedo, para os meninos, são menores, não se movem, não podem provocar atropelamentos e nem acidentes graves sobre a criança. Os soldadinhos não atiram de verdade, livrando os meninos da morte. As bonecas, como réplicas em menor tamanho das meninas, não vão ofender ou fazer troça das meninas que as manipulam. Vão chorar ou sorrir, de acordo com o gosto de quem as manipula.

Os soldadinhos, ou bonecos de ação, como se chama agora os bonecos com os quais os meninos brincam, vão obedecer a questões estratégicas da mente dos meninos, além de proporcionar aquele clima de ação agressiva de que eles tanto gostam. Um exército contra o outro.

As bonecas, no entanto, trazem um elemento afetivo, e encenam os dramas da vida diária que a menina capta com os seus sentidos de todos os fatos que se desenrolam à sua volta. Para ambos, meninos e meninas, ressalta na brincadeira o elemento da manipulação. Eles podem fazer com os bonecos ou soldadinhos o que querem. Mas no caso das bonecas, existe mais "conversa". As meninas simulam situações e diálogos com forte componente de "exposição da alma".

Você não vê o menino simulando uma conversa entre dois soldadinhos, tal como:

"Estou cansado de tanto atirar. Será que é preciso matar tanto ?"

Mas em meio à brincadeira das meninas você pode ouvir:

"Você vai à minha festa ? Eu queria tanto que você fosse."

"Não gosto da Tereza. Eu não vou convidá-la para a festa."

Elementos frios e elementos afetivos

A brincadeira dos garotos é bem fria, e orientada para disputas de poder, elegendo um "exército" que vai vencer (geralmente o dos soldadinhos contra os índios). Já a das meninas expõe o seu interior e as pequenas disputas sociais.

Além do elemento de "contato controlado" com o mundo, a brincadeira tem o elemento de catarse, ou seja, colocar para fora aquilo que está incomodando por dentro.

Ora, quando se simula ações em torno de elementos afetivos, entra em jogo um enorme conjunto de emoções. Se bem utilizadas, elas serão uma ferramenta de convencimento, de expressão de revolta e de manipulação em geral. Os discursos políticos dos grandes manipuladores é recheado de manipulação de elementos afetivos, que atingem os centros emocionais dos ouvintes. É a manipulação linguística e tonal (tom) do discurso. Certas ações e sugestões também se constituem em discurso afetivo, sempre que se destinarem à manipulação.

Os jogos sociais entre as mulheres

Quando as mulheres precisam obter alguma coisa, já em idade avançada, aquelas que passaram pelas brincadeiras de bonecas estão PRONTAS para a manipulação de elementos afetivos. Elas podem não lembrar claramente do conteúdo exato de suas brincadeiras (pois a memória que resta é mais simbólica do que factual), mas estas se tornaram um exercício eficiente de preparo para os jogos sociais entre adultos.

O caso de uma

Se houve um traço de caráter malformado, que deturpou a personalidade justamente no atributo de competitividade, a menina crescida (esta é a denominação adequada, pois mulher é outra coisa muito mais evoluída) estará pronta para utilizar os elementos afetivos para manipular as colegas. A estratégia é bem conhecida, mas parece que as mulheres se esqueceram disto. A menina crescida se aproxima, toda sorrisos, e começa a querer estabelecer laços, usando o tom de voz de amizade, um interesse nos fatos da vida e fazendo o possível para ficar próxima tempo bastante para influenciar a VÍTIMA.

Plantar dúvidas, através de histórias a respeito das pessoas em volta da VÍTIMA, é o mais eficaz dos meios. A serpente usou este truque simples com Eva, e aí está o resultado.

O caso de duas

Quando duas mulheres resolvem manipular uma terceira, a manipulação tem uma carga mais potente. Quando duas estão juntas, em propósito, só por serem dupla já tem a natureza de uma instituição. Elas já formam um grupo. A produção de elementos de manipulação é mais numerosa. Uma concorda com a outra, e no ouvido da vítima são duas vozes sugerindo, afirmando e, com o tempo, mandando subliminarmente.

De onde vem esta tendência ?

Esta tendência a corromper os laços genuínos de amizade vem do caráter interno, reforçado pelo treino com a brincadeira de bonecas. Se não existissem as bonecas, fatalmente a mais manipuladora encontraria uma alma fraca para se exercitar, para depois levar a cabo seus instintos.

O significado para a mente

Talvez, para muitas pessoas, poder associado ao dinheiro, bens ou cargos não signifique tanto quanto a capacidade de influenciar, desviar, em suma, manipular outras pessoas. É como se fosse um jogo. É fazer com que os outros façam aquilo que o manipulador quer. Isto lhes dá prazer.

Como se prevenir ?

Procure, antes de estabelecer laços com uma pessoa, conhecê-la bem: de onde vem, por onde passou, como chegou aí do seu lado. Veja se suas convicções estão de acordo com sua ações. Se a amiga agarrar muito, e reclamar "por que você não foi", "por que você não vem", tome distância.






sábado, 17 de novembro de 2012

As células gliais e a migração neuronal

Recentemente se descobriu um tipo de célula cerebral, cuja função é a nutrição e manutenção das células nervosas.

Também recentemente é que se descobriu o fenômeno da migração neuronal, ou seja, o movimento da nova célula de memória de seu local de nascença - o hipotálamo - até o córtex cerebral.

No entanto, não se sabia como era feito o caminho destas células até o seu lugar definitivo na memória de longa duração. No caso das células sanguíneas, a migração se dá pelos vasos sanguíneos. No caso das células do sistema imunológico, o fenômeno se dá pelo sistema linfático. E no caso das nervosas ?

A resposta está na rede que as células gliais estabelecem. Elas formam o caminho pelo qual os neurônios migram. E faz muito sentido. Este sistema estabelecido pelas células gliais (que em breve deve ganhar nome específico) é o "arruamento" por onde as células nervosas se movimentam.


Veja que fantástico o instantâneo de duas células nervosas "caminhando" pelo sistema Glial do cérebro.

E este vídeo:



Hatten and Edmondson, 1987. (J. Neurosci.)

Durante o sono, o que está na memória de curta duração do ser humano, num local chamado de Hipocampo, e que foi potencializado por uma revisão antes que a pessoa durma, é lançado (migrado) para a memória de longa duração (córtex cerebral).

Ensino e Diálogo - Se você já sabe, para que está perguntando

Neste post vamos falar sobre a relação mestre discípulo e da transmissão de conhecimento, além do objetivo de se questionar as coisas.

O questionamento é um impulso necessário e natural do ser humano, destinado a suscitar na mente da pessoa, ainda não totalmente instruída em um assunto, o trinômio análise/comparação/síntese.

Dois conversando

Bastam duas pessoas conversando sobre algo de um gênero não narrativo, como uma ideia, para se estabelecer o duplo trinômio. Quando estamos pensando, precisamos buscar as várias situações ("cases") que conhecemos, para fazermos comparações. No entanto, não existe a operação negação, que cria "espelhos" de nossos pensamentos. Em outras palavras, os reflexos contrários de nossos pensamentos são importantes para acharmos contraprovas, provas por absurdo e para aumentar a exploração do contextos que está sendo analisado.

Para se informar sobre estas operações mentais, leia:


Análise, Síntese e Comparação

Bases para Comparação

Comparação

Quando existe o diálogo, as análises e sínteses começam a se dar a razão de 4 para 1 em relação a uma ideia colocada.

O ensino

Quando o ensino é corretamente ministrado, coloca-se uma ideia nova, ou uma ideia já conhecida com novas abordagens em discussão. Sim, ensinar corretamente é colocar uma ideia em discussão, pois até neófitos podem apresentar uma nova síntese ou uma nova análise sobre o que está sendo exposto.

Pois bem. Enquanto a ideia é introduzida, faz-se uma apresentação da mesma na forma de uma síntese (uma definição ou um conceito).

Por exemplo, vamos introduzir uma nova ideia HIPOTÉTICA, a que daremos o nome de LUPANOV. LUPANOV foi descoberto em laboratórios de parapsicologia, e é um fenômeno que ocorre quando um ser humano atinge determinado estado mental que possibilita penetrar com sua mão em uma parede, por exemplo.

Como é um fenômeno novo, desconhecido dos alunos, eles permanecem calados, sem propor nada, a princípio. Então o mestre propõe:

" Vamos supor que a explicação do fenômeno é magnética, o que vocês tem a dizer ?"

Os alunos são estimulados a buscar em sua mente respostas e ideias correlatas. A diferença para o que se pode estar pensando é que aqui não há construtivismo. O mestre fez uma suposição. No construtivismo a condução é livre e pode se direcionar para o caos.

Então, em nosso exemplo, um aluno pode propor que os campos magnéticos da mão e da parede interagem  e então o fenômeno é produzido. Então o professor pode lhe pedir para desenhar o modelo de magnetismo, com as cargas para explicar o fenômeno. Este é o verdadeiro ensino, a investigação:

Faz-se uma suposição, sem saber se é a verdade, e sobre ela constrói-se um modelo.

E se o mestre parte da suposição e pede que sejam propostos modelos, ele não está "empurrando" verdades sobre seus alunos, ele está ativando a interação entre ele, seus discípulos e os discípulos entre si.

O modelo é uma representação da análise, e as conclusões em forma de conceitos são as sínteses.

As perguntas

Ao ser feito um questionamento, e a pessoa aceitá-lo como uma proposta de resolução estimulante, o cérebro entra em processo de Neurogênese. As associações estimuladas a se formarem, demandando neurônios para os conceitos intermediários, provocam a formação de novos neurônios e fortalecimento dos já existentes. O processo então se auto-alimenta.

Em outras palavras, a pergunta desencadeia um processo de PROCURA, BUSCA ("search") no "banco de dados de ideias e conceitos" da pessoa questionada. Ela entra em um processo de tensão incipiente, que alimenta as regiões estimuladas. Neurônios de apoio (os mais próximos do conceito em questão) começam a "tatear" por neurônios que representam conceitos próximos, e se houver uma relação lógica entre eles NO CONTEXTO da discussão, eles formam uma ligação. E podem ser achados vários conceitos e portanto estabelecidas várias ligações.

Se houver uma conclusão nova, que não esteja nestes conceitos (a eles está relacionada, no entanto), um novo neurônio representativo do conceito que esta conclusão estabeleceu se forma. E este, totalmente novo, vai migrar para a memória de longa-duração, no próximo sono do indivíduo. (Veja o vídeo).



Conclusão

O mestre pergunta, propõe, mas seus saber, da forma colocada, não é algo estático e pronto, é algo que vai ser absorvido após uma modelagem pelos alunos. Ou seja, o sentimento de aprendizado é PESSOAL e GRUPAL.

sábado, 10 de novembro de 2012

Quebra do cotidiano, consciência e memória

Já temos falado de:

Rituais na Construção e Manutenção da Identidade

Mau humor de fim de semana

O ser humano máquina

No inconsciente coletivo estão os reflexos da Revolução Industrial que perdura até hoje. Mas um agravante se apresenta desde o advento da Internet: a Revolução Digital. Enquanto a primeira "sequestrou" o corpo, a segunda vem "sequestrando" a mente. E uma vez sequestrados, estamos em uma situação de "consciência no limite".

Através da Revolução Industrial estamos sendo tornados aptos a experimentar os limites extremos. Extremos de velocidade, extremos de profundidade com as minas cada vez mais profundas, extremos de altitude com prédios altos, trânsito em aviões, extremos da ciência e tecnologia que levaram à Revolução Digital.

Através da Revolução Digital, estamos sendo levados aos extremos da informação. Esta afeta diretamente a consciência. Somos levados, hoje, a saber o que está ocorrendo no mundo todo, via YouTube, via Google,  via jornais digitais, e o que é pior: a cada segundo. Se uma informação cai na rede, já está visível para todo o mundo (com exceção da China).

Desta forma, nós fomos colocados na rede. Fomos absorvidos pela "MATRIX" do filme que se tornou tão notório. Viramos parte da máquina. Achamos que se não soubermos de determinada coisa sobre a qual se está falando, estamos excluídos. Pela rede, funcionando assim on-line como está, temos a nossa consciência aumentada.

Consciência aumentada e memória

Mas a consciência aumentada apresenta seus prejuízos. Para nos mantermos conscientes, um determinado conjunto de processos mentais deve estar funcionando, para sermos considerados seres que estão prestando a atenção ao seu estado presente a cada segundo. E o cotidiano é uma forma de tratamento destes processos mentais que possibilita à mente funcionar com a menor quantidade de energia. Como tudo é repetido no cotidiano, já o fazemos de forma automática, sem esforço. Com a consciência aumentada, mais processos vem dividir a nossa atenção.

A sucessão de dia e noite, como um ritmo lógico-mental, é como um relógio que possibilita refrescar e realimentar a nossa memória. Talvez 24 horas seja o tempo do ciclo mais perfeito para ritmar a nossa vida, sem permitir que, no final do dia, esqueçamos de tudo o que se passou ao longo do mesmo.

Todos os nossos processo mentais precisam trazer informações para a memória de curta duração, no momento em que elas são necessárias. Podemos até definir Consciência como:

Estado mental de uso constante da memória de curta duração

Memória de curta duração

Estado natural da Memória de Curta Duração


Suponhamos que você precisa se lembrar da senha de sua conta bancária. O cérebro terá que trazer esta informação para a memória de curta duração, até porque você poderá optar pela troca desta senha. Ora, no indivíduo que está neste estado de consciência aumentada, pelo uso frequente dos recursos digitais da atualidade, a memória de curta duração está "apertada". Ali não está cabendo mais nada, mas você precisou de um espaço, mesmo pequeno, para utilizar AGORA.

Estado natural da Memória de Curta Duração na Consciência Aumentada
Ambas as figuras podem ser entendidas em termos de quantidade de energia utilizada pelo cérebro para manter cada processo citado.


Existe portanto a possibilidade de nossa memória falhar.

No caso de uma nova tarefa ou processo ou situação que saia completamente do cotidiano, podemos dizer que, na primeira vez, a não ser que você cole um papel na frente dos olhos, ou amarre um cordão no dedo, ou coloque um peso nos pés, a nossa memória FALHARÁ.

A este fenômeno daremos o nome de Quebra do Cotidiano

 Um exemplo é o caso do pai em Volta Redonda, estado do Rio de Janeiro, que deixou a filha dentro do carro, porque, naquele único dia, estava levando a filha de 10 meses para a escolinha. Outro é o do detento que, quase no final da pena, comete um crime dentro da penitenciária, para não sair, pois já se acostumou aquela vida.

domingo, 4 de novembro de 2012

Símbolos - Querer acreditar


Em uma tarde em família, estávamos observando nossa cadelinha mordendo o "casaquinho" que demos no inverno deste ano. Ela acabara de sair do cio. É uma cadelinha bassê muito boazinha. Mas neste dia, se alguém tentava tirar o casaquinho dela, ela protestava com rosnados convincentes.

É preciso completar a história citando que o casaquinho estava em meio a roupas para lavar. Dias antes, ela fuçava na pilha de roupa suja, gemendo baixinho. De repente percebemos que era ele que ela procurava, e o demos com um carinho. Ela já estava no cio.

Pois bem, sabe-se que algumas cadelas sofrem de gravidez psicológica. Nossa cadela tomou o casaco não como um filhote, mas como ALGO PARA DEFENDER, PARA SE TOMAR CONTA, OU SEJA, um Símbolo físico.

Os símbolos

Já falamos sobre símbolos e símbolos impróprios. O ser humano, dotado de razão, lógico e com todo o seu potencial e informação, por diversas vezes é pego em uma armadilha de símbolos e é vítima das metáforas mentais. O caso mais comum é o de homens e mulheres que caem nos enganos da paixão, por confundirem mulher ou marido com mãe e pai, respectivamente, ou a professora com a mãe, o professor com o pai, numa gama de possibilidades enorme.

Mais próximo da realidade, tem pessoas que amam as mães, mesmo elas sendo megeras, torturadoras, algozes, madrastas mesmo. Este é o melhor exemplo de Querer Acreditar. A mãe, neste caso, é mais uma PESSOA SÍMBOLO do que uma PESSOA SAPIENS CARNALIS (pessoa racional em carne). Poderíamos chamar as Pessoas Símbolo de Atores. Como não correspondem, em ações, ao Símbolo que carregam consigo em Relação ao Contexto Social, não passam de arroubos de gente mal resolvida. Pessoas deste tipo podem receber a alcunha de Falsos, Fingidos, Duas Caras ou Dissimulados.

A salvação social destas pessoas, para quem os rodeiam é o Querer Acreditar. O filho que tem uma megera como mãe, faz uma "maquiagem", pintando com cores os locais da personalidade deste tipo de pessoa que são brancos ou cinza, de modo que corresponda a aquilo que idealiza CONFORME OS MODELOS DISPONÍVEIS NA SOCIEDADE.

Nossas crenças

Se você pensa ser um Pai, você tem que reforçar isto na sua mente, tendo consciência e exercendo o Modelo Previsto. Na ausência do seu filho, você se sente menos Pai ? Os Símbolos humanos tem um mantenedor, que é a mente, ou se você preferir, a memória. Até Deus em sua palavra falou algumas vezes que "se lembrou". Tem cabimento ? O supremo Criador e Controlador se "lembrou dos hebreus" quando os viu em escravidão no Egito. Pode ?

Claro que pode, pois nós temos que fazê-lo a toda hora. Quem sofre do mal de Alzheimer, que entre outras coisas causa perda progressiva da memória, perde a identidade. Somos construídos a partir dos Símbolos que fabricamos na mente,

A crença em Deus como exemplo

Ora, a expressão mais fidedigna do "Querer Acreditar" é a Crença em Deus, chamada de Fé. Não é preciso gastar muito discurso. Quem crê em Deus o faz com a força do "Querer Acreditar". Estas pessoas crêem mais nEle do que até nas coisas visíveis,

Mas com base na teoria de que o Cérebro é um Simulador, até para vivermos, PRECISAMOS CRER QUE A VIDA É REAL. Sim. Como temos dois estados, de Consciência e de Sono, não podemos afirmar em qual dos dois estamos em um momento com CERTEZA ABSOLUTA.

Levando ao extremo

Você tem que crer que o próximo dia realmente vai acontecer, que o ônibus vai chegar, que sua esposa ou marido vão chegar, que o filho vai chegar da escola, que vão depositar seu salário, que o remédio vai fazer efeito, de que suas pernas vão andar quando seu corpo acordar, que vai haver energia elétrica na hora de ligar um aparelho, etc. Tudo depende de um "Querer acreditar", e estamos falando ANTES da fé em Deus. Você vive neste estado O TEMPO TODO, e não sabe.

Os doentes de síndrome de pânico sabem muito bem o que isto quer dizer. Seu "Querer acreditar" fica afetado ou inexistente até na hora de simplesmente atravessar uma rua. Converse com um deles.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O medo da matemática

Passa o tempo e fica tudo mais claro. Em todas as épocas temos relatos dos pais de que alguns filhos estão indo mal em matemática na escola, que vão tomar bomba, etc.

Agora motivos científicos e experimentais vem à tona. E este vem da Universidade de Chicago, pelo trabalho de Sian Bellock.

Quando o indivíduo está diante de um enunciado de matemática, seu cérebro experimenta um pequeno estado de ansiedade. Para quem JÁ POSSUI um temor de resolver problemas deste tipo, a sensação experimentada é a mesma da preparação para a dor  Mapeada a área afetada por este contexto, achou-se as áreas mostradas na figura excitadas:


Isto é extremamente esclarecedor para se compreender o porquê da reação das pessoas quando estão à frente de resolver problemas desta matéria tão assustadora. O estado de ansiedade se revela até antes do problema vir. Pode ser simplesmente por tomar o livro de matemática na mão, caminhar para a aula desta matéria e coisas relacionadas.

Seria este um caminho para tratar o MEDO ? Poder-se-ia preparar o indivíduo para enfrentar situações de ansiedade como se fosse resolver um simples problema de matemática ?

De acordo com o estudo desta cientista, escrever sobre esta ansiedade antes de um teste de matemática ajuda a se obter uma melhor performance.

Leia o artigo completo em inglês

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Causas do mal de Alzheimer

O tabu em torno do mal de Alzheimer cresce a cada dia que sai um novo jornal ou revista científica.

Já se especulou sobre o alumínio (originário das panelas) e sobre a gordura, além de fatores genéticos. Também os produtos químicos podem saturar os tecidos cerebrais.

Mas o que é o mal de Alzheimer ?

Em poucas palavras, este mal é uma doença neuro-degenerativa. Degeneração é uma destruição de tecido. E uma neuro-degeneração é a destruição de tecido nervoso.

As doenças degenerativas precisam de fatores disparadores. Como é típica da velhice próxima (entre 50 e 60 anos), envolve a vulnerabilidade, ou seja, temos fatores que combatem a degeneração, no entanto estes fatores ou deixam de agir, ou, influenciados por substâncias catalisadoras, são destruídos mais rapidamente.

No caso de fatores genéticos, a informação dos genes da pessoa acabam por ordenar a síntese de substâncias que fatalmente apressam a degeneração que talvez viesse anos depois, quando o corpo já está bem debilitado no TODO. Dizer que é um MAL se deve à situação em que o corpo TODO está sadio, mas os neurônios ficam doentes independente disto. E, recentemente, ela passou a ser denominada DOENÇA DE ALZHEIMER, pois isto é o que ela realmente é.

Doença de Alzheimer à luz da Biologia Molecular

O que era um estudo de sintomas e de evolução dos mesmos ao longo do tempo, passou a ter maior suporte após a absorção pela comunidade médica da Biologia Molecular, que olha o corpo como um sistema constituído de "nano-máquinas". Agora pode-se estudar o lado "mecânico" das moléculas em interação umas com as outras. Ou seja, agora o estudo das doenças se tornou VERDADEIRAMENTE científico.

Segundo o estudo de O.P. Almeida, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, o cerne da questão está nos microtúbulos construídos e destruídos continuamente nas células nervosas. Estes microtúbulos são as vias através das quais o organismo transporta as substâncias necessárias à manutenção, no caso, das células nervosas.

No Alzheimer, uma proteína é a vilã: a chamada beta-amilóide. Esta proteína é achada nas placas senis que se espalham no indivíduo que sofre desta doença.

Esta é a causa final da doença. Não importa se os mecanismos disparadores são substâncias externas (alumínio, colesterol, benzeno, fenóis, etc) ou manifestações genéticas.

Causas

Não existe prova nenhuma da influência desta ou daquela substância como facilitadora do Alzheimer. Se a doença surge na idade avançada, quaisquer contaminantes industriais ou inorgânicos provocariam demência bem antes dos 51 anos, como identificado na primeira paciente com esta manifestação.

Prevenção

Existe um estudo do grau de escolaridade dos doentes em relação à idade, e este fator parece proteger os virtuais candidatos quanto ao fator cruzado idade. Ou seja, chegando-se à faixa etária de probabilidade de desenvolver esta doença, os de maior escolaridade estarão mais protegidos, devido ao que é conhecido como Neurogênese (fenômeno que ocorre quando da ligação entre neurônios quando se pensa em algo).

Portanto, pensar faz bem à saúde dos mais velhos. E é só. Qualquer outra especulação é prematura e temerária.






sábado, 13 de outubro de 2012

As ideias se conectam no momento em que pensamos

Este vídeo mostra os neurônios se conectando.

A tradução é a seguinte:


Neurogênese: Ciência inovadora de modificação da mente;
Toda vez que você tem um pensamento significativamente novo, seu cérebro cria novos caminhos neurais;
Veja este vídeo que mostra o escaneamento em tempo real no momento em que cria um novo caminho neural:

















New connection: Nova conexão;
Veja novamente em câmera lenta (Slow-motion);
A biologia deste fenômeno é uma via de mão dupla: Quando você pára de pensar em algo, o caminho neural é desconectado;
Pruning: poda, corte de galho da árvore, no caso de um "galho" neural;
Você PODE mudar deliberadamente o seu cérebro de forma dramática. Seu cérebro foi projetado especificamente para você fazer EXATAMENTE ISTO;
Isto é chamado de Neurogênese: Esta habilidade não diminui com a idade. Seu cérebro está constantemente construindo e rompendo caminhos neurais;
Novos pensamentos;
Mudam a sua vida;

Este vídeo explica MECANICAMENTE porque as pessoas são capazes de, frente a novos fatos, mudar de opinião. Ter Opinião, alguma, e depois mudá-la em função de novos fatos e relações não tem a ver com mudança de personalidade. Muita gente confunde as duas coisas. A Personalidade é o comportamento global, e não somente verbal, frente ao mundo. E opinião é uma conclusão frente aos fatos apresentados, ou seja, a arquitetura de Relações que o indivíduo constrói a partir destes fatos. Como nem todo mundo forma as mesmas relações a partir dos mesmos fatos (com resultados por vezes bizarros), temos opiniões diversas sobre a mesma coisa.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Cérebro, quociente de inteligência e linguagem


Que tipo de linguagem devemos utilizar ?

A língua das nações que se transformaram em países tem um vocabulário rico, e seu vernáculo tende a aumentar. Já a língua de nações que continuam mantendo valores tribais, como alguns países árabes e africanos e habitantes de ilhas do Atlântico e até do Pacífico tendem a se manter estáticas. Em nações desta estirpe, os novos elementos são vistos como uma ameaça às tradições e aos costumes milenares.

Os costumes em evolução e a vida urbana, bem como a tecnologia, tendem a fazer com que o vocabulário da língua de um país se avolume. Os acordos comerciais internacionais, assim como a absorção de cultura estrangeira também provocam a incorporação de novos vocábulos.

O vocabulário

Em termos de crescimento humano, é esperado que o indivíduo adquira, em determinado momento, a capacidade de pronunciar palavras que ouviu, analisar padrões de ordem e circunstância das mesmas, e depois desenvolver seu raciocínio expressando-o com palavras. Com o empenho da vontade do indivíduo para melhorar o raciocínio, espera-se que este vocabulário aumente, devido à exposição a novos contextos, novas opiniões, outras línguas, etc.

Um estudo recente levado a termo pela Universidade de Bauru, em trabalho de Ana Cláudia Bortolozzi, verificou a relação entre vocabulário e o QI (Quociente de Inteligência). Dentre as várias conclusões, o aumento do vocabulário mostrou relação com o aumento do QI.

As Redes Neurais

As ideias do contexto de nossa existência precisam ser expressas por símbolos em nosso cérebro, pois ele é um equipamento e precisa de dados concretos para representá-las. Estes dados concretos são as palavras, seja em que língua os mesmos se apresentem.

E as relações entre as ideias (pois elas não existem solitárias, são tão gregárias quantos nós como pessoas) formam redes neurais em nosso cérebro. Já foi demonstrado que os neurônios trabalham em Assembleia.
Estas redes neurais, portanto, são mais poderosas quanto mais conceitos relacionados elas são capazes de ligar na hora em que o indivíduo pensa em uma determinada situação. E como elas ligam ideias, REPRESENTADAS PELAS PALAVRAS (símbolos das ideias), seu poder é proporcional ao número de PALAVRAS ligadas naquele momento.

Pelo exposto, conhecer um grande número de palavras ajuda tanto no conhecimento quanto no desenvolvimento da linguagem, quanto no entendimento de uma situação, tornando o indivíduo mais articulado no uso da Linguagem. É como uma bola de neve.

Conclusão parcial

Ora, se a aquisição de mais vocabulário aumenta o domínio da linguagem, e até o QI, percebemos que a linguagem é uma ferramenta muito útil em nossa vida prática, ultrapassando as simples finalidades de leitura e escrita.

Como devemos usar a linguagem ?

A dúvida está em que direção devemos utilizar esta poderosa ferramenta: devemos falar na linguagem de quem nos ouve ou na linguagem citadina com seus ricos elementos ?

Comunicadores dos regimes de exceção e também dos regimes fascistas e nacionalistas souberam manipular o pensamento da população através de uma linguagem dirigida. Novas expressões foram criadas em função de novos conceitos que precisavam ser fixados nas mentes dos ouvintes. Nesta situação, o vocabulário era aumentado. Novas situações, novos conceitos, novas expressões e novas palavras.

Mas e numa situação do dia a dia de um mundo já estabilizado econômica e politicamente ?

A pergunta expressa já um erro de interpretação, pois hoje existem situações críticas sem armas. Por associarmos nossa situação cotidiana a algo estático, julgamos que vivemos em estabilidade, pensamento este que mantém o ser humano na estagnação. De forma nenhuma. Cada dia se constitui em incremento de vocabulário (nesta nossa abordagem da linguagem). Se ao final do dia você julgar que nada foi para a frente, leia algum artigo interessante na mídia. Este hábito também traz saúde, e é recomendado para quem está apresentando problemas de memória.

Princípio do Convencimento

Portanto, se falamos algo, devemos ser simples, mas não simplistas. E se queremos CONVENCER alguém de alguma coisa, devemos utilizar a linguagem como uma Arma. Para isto, devemos operar linguisticamente num nível ligeiramente superior a quem nos ouve, pois a intenção é sobrepujar o discurso do outro. O vocabulário é a munição desta Arma da qual falamos.

A linguagem, nesta geração das redes sociais veio sendo empobrecida de elementos como conjunções, pronomes, adjetivos e até artigos. As inversões não são mais usadas. Isto proporciona comunicação rápida, mas NÃO PERMITE O CONVENCIMENTO. Quem nos ouve, nesta tentativa de convencimento, acha que está em posição de igualdade. Quem fica em igualdade NÂO ESTÀ SENDO SOBREPUJADO E NEM CONVENCIDO. A mídia simples das rádios e TVs tentam perverter este princípio, dizendo: “FALAMOS A LÍNGUA DO POVO”. Devemos nós fazer isto também ? Não seria esta uma desculpa de quem simplesmente não está querendo se esforçar ?

Vejamos o caso das ciências jurídicas. As petições não empregam a linguagem popular. Elas tem se simplificado, mas não estão falando a linguagem de rua. A linguagem por elas utilizada é a de convencimento, e este deve seguir o princípio citado anteriormente.

Um exemplo popular

Os “Call-centers” migraram para a linguagem popular, para ideias simplistas, e o que aconteceu ? O cliente se acha igual a quem o atende do outro lado da linha (pois sabem que se trata de gente inexperiente) desacatam os atendentes sistematicamente. Eles podem dar explicações simples, mas não de forma simplista. É preciso ter um discurso elaborado, sem ser pedante, mas com forte conteúdo linguístico. E isto é uma arma de propaganda, que tem que ser bem usada.

sábado, 6 de outubro de 2012

A exploração do discurso vazio

Quem trabalha em grandes empresas, frequenta missas e cultos, e assiste entrevistas vem notando, nos últimos 10 anos, um fenômeno humano preocupante:

Fala-se muito e nada se diz

Devido à proliferação de canais de TV, abertas e a cabo, o número de programas se multiplicou, bem como o de apresentadores. E como ninguém quer pagar bem, os apresentadores são os mais despreparados, desarticulados, com pouco ou nenhum conhecimento. Daí vem o fato observável ao ouvi-los:

Usa-se muitas frase repetidas

A criatividade e a "pessoalidade" não são mais percebidas. Para não errar, e para não gerar situações constrangedoras, os apresentadores estão preferindo usar as expressões que todo mundo usa, fazer perguntas vazias e ainda elogiar as respostas imbecis.

Nas missas, até as de sétimo dia, mais emocionais, e portanto de tipo que seria de esperar que algo novo e profundo saísse, nada sai. Só frases feitas do cotidiano católico. O mesmo se dá nos cultos evangélicos, onde as expressões que identificam os crentes são utilizadas, reutilizadas, faladas e repetidas, pois parece que todos estão com preguiça de pensar .

Conversa de Político

Um dos principais exemplos da Exploração do Discurso Vazio é a fala dos políticos. Político fala, fala, fala o que as pessoas querem ouvir, e as pessoas acreditam neles, pois a fala é fácil de ser digerida. Exploradores deste tipo de discurso fácil são: Lula, Paulo Maluf, Antônio Roberto, e estes jornalistazinhos populistas dos programas sensacionalistas de "o que está acontecendo pela cidade", e que adoram falar de crimes.

O pseudo-escritor Paulo Coelho é também um explorador deste tipo de discurso: fácil de ler e fácil de engolir.

Causas

A principal causa, no Brasil, é o contexto de bem estar. Os últimos 10 anos de governo federal tornaram o consumo um hábito que suga a atenção das pessoas. Temos crédito, benefícios, turismo, passagem de avião barata, computador, rede social, em suma FACILIDADES. Ora, quando é que aflora a CRIATIVIDADE ? Na hora de superar DIFICULDADES. Sem dificuldades não há crescimento.

O melhor humorismo foi produzido na época da ditadura no Brasil: época de dificuldades.

Outra causa é a HERANÇA DE PERSONALIDADE (Leia o Post Compensação de Incapacidade ). Para quer passar pelo árduo trabalho de desenvolver a consciência, para depois moldar o Caráter e depois construir uma Personalidade ? Como demora, o indivíduo vira um Camaleão, se adaptando aos discursos que prevalecem nos locais que frequenta ou que vive.

Os livros e autores de auto-ajuda, atrás APENAS DE DINHEIRO, também usam o discurso fácil, e encontram milhares e milhares de admiradores.

O Remédio

As pessoas desta geração e da anterior devem ler aquilo que a juventude dos anos 60 e 70 liam: filosofia. A filosofia ajuda a ter várias visões sobre o mundo, para que a pessoa escolha a dela, mas baseada em filósofos verdadeiros, e não destes modernos, que vivem no bem-estar, cuja preocupação não é a busca da verdade, mas a busca de lucro e fama.