sábado, 15 de dezembro de 2012

Por que existem pessoas que reclamam de tudo ?

Reclamar da vida e das pessoas é um comportamento social. Pode ser uma atitude de defesa, de auto-afirmação, de tentativa de interação social ou de ato reflexo devido aos "neurônios espelho".

Você pode começar lendo a explicação sobre "Neurônios Espelho" neste mesmo blog, pois ela conduz ao entendimento do que vamos explicar.

Comportamentos sociais

Você pode se entrosar com o seu grupo social:


  • Concordando com tudo que lhe dizem;
  • Discordando de tudo que te propõem;
  • Indo a todos os lugares que os outros vão;
  • Fazendo tudo que o seu grupo faz.


Não estamos discutindo os meios, apenas os atos. Se isto vai ser feito por meio de mídias sociais, ou encontros presenciais, pouco importa. O que importa é a atitude.

A verdadeira integração do indivíduo ao seu grupo, em termos dos humanos, se dá por meio da avaliação que os outros fazem da sua firmeza de opinião e da propriedade ou impropriedade de suas opiniões.

Concordar com tudo

Este comportamento é óbvio para integração social. Principalmente desde a década de 1990, até os dias de hoje, seja social ou profissionalmente, os líderes estão gostando de quem concorda com tudo, sem ter que explicar o porquê das coisas que pedem. Estamos na "ERA DOS MEDÍOCRES", que não gostam que ninguém discorde deles.

Discordar de tudo

Estes assumem esta posição por dois motivos:

Justificar-se para não se comprometer e ter que fazer;
Instinto exagerado de auto-defesa por uma malformação da personalidade.

Agindo desta forma, eles precisam compensar o grupo de alguma forma, como:


  • Promover encontros sociais (reuniões, churrascos, almoços);
  • Coleta de dinheiro para eventos e crises (aniversários, falecimentos, ajuda a terceiros).


Se não o fizerem, serão excluídos. Este tipo facilmente lembra do aniversário dos outros e dá presentes até para quem não gosta.

Os outros tipos

Os demais são tão óbvios que não precisam ser detalhados. Aceitam todos os convites para ir a qualquer lugar.

A explicação

Estas formas de comportamento são muito comuns, estamos cansados de constatar. Mas por quê ocorrem ? O que dispara tal comportamento ?

Vamos falar o óbvio:

TUDO VEM DA EDUCAÇÃO

Isto é óbvio. Mas existem várias formas de educação.


  • Educação baseada na tradição;
  • Educação baseada na conveniência;
  • Educação baseada na formação da opinião.

Educação baseada na tradição

Vamos voltar uns 6000 anos atrás. No Egito, sábio era aquele que sabia tudo que era passado pelos adultos. A tradição era uma VERDADE ABSOLUTA. A criança egípcia não era encorajada a pensar. Esta é a educação baseada na tradição. Muitos grupos humanos da atualidade, principalmente nas ilhas do Pacífico praticam esta forma de educação.

Educação baseada na conveniência

Esta tem como orientação a busca da aceitação de uma forma que, fazendo a pessoa se aproximar de quem lhe possa ajudar de alguma forma, seu futuro estará garantido. O grupo passa a ser somente o "solvente" destas pessoas "mais capazes" (soluto), e ajuda até a esconder o INTERESSE desta pessoa que recebeu a educação de conveniência (INTERESSEIRO).

Educação baseada na formação de opinião

Esta é a mais difícil. O pai e a mãe tem que ir explicando à criança as coisas, e a cada nova situação ir instigando a criança a explicar a situação, ajudando, sem expor como VERDADE coisas sem comprovação. Tradições tem que ser explicadas à criança com as razões pelas quais começaram a existir. Deve-se perguntar sempre à criança desta forma de educação:


  • Você já viu algo parecido ?
  • Isto te lembra alguma coisa ?
  • Você acha isto bom para você ?
  • Você acha que o resultado disto vai ser bom ?


Exageros, no entanto, devem ser coibidos, como deixar a criança questionar coisas óbvias ou de entendimento ainda não apropriado à sua idade. O construtivismo nas escolas foi algo desta classe de exageros.

Também deve-se orientar a criança a nunca dar opiniões taxativas sobre assuntos que não conheça bem através da principal referência deste assunto. Por exemplo, não se pede a alguém que não conhece Engenharia para que opine sobre um desabamento, construção, ou algo do gênero. E principalmente sobre Religião, nunca se deve dar uma opinião sem conhecimento de História Universal, Bíblia, Alcorão, Geografia, etc.

E notamos nos meios de comunicação que estes desvios de opinião estão acontecendo direto e reto. Está sendo valorizado o senso comum em assuntos graves e de repercussão. E por quê ? Porque sai mais barato colocar o povo falando na TV e Rádio (Internet nem se diga) do que pagar o cachê de um profissional gabaritado.

Este tipo de educação é o mais TRABALHOSO, e hoje as pessoas estão se orientando pela PREGUIÇA.

A emulação social

Quando a educação não se pauta pelo estímulo à formação de uma opinião, ou seja, ao treino para que se busque as informações para a formação de uma opinião própria, existe também o caminho da "Emulação Social". O indivíduo tende a copiar desde os comportamentos do grupo até suas expressões. Nos meios de comunicação constatamos pessoas que são perguntadas a respeito de sua opinião frente a certos fatos, e elas repetem frases de novelas, de políticos, de artistas famosos, etc.

Então, como a maioria reclama, pois se sente impotente frente às situações, quem está em volta tende a fazer a mesma coisa. Eles não acham uma saída, então reclamam.

É a forma de "sobrevivência social" mais fácil:

Você não pensa, e sim deixa que os outros pensem por você.

Mas tem outras consequências. Os profissionais do jornalismo encontram uma massa "fraca da cabeça", e incutem idéias nestas mesmas cabeças. E então, o objetivo está completo. A cabeça da maioria pode ser manipulada. Canais de TV fazem dos telespectadores o que querem, empurram os ídolos mais adequados aos negócios comerciais. E estes passam a ser também porta-vozes das verdades fabricadas.

Conclusão

Educação exige investimento, tempo, esforço e preparação de quem está educando. É mais fácil seguir a maioria, ou seja, imitar comportamentos de quem está em volta.






Um comentário:

  1. Parabéns, Bernardo, pelo post. Lamentavelmente, creio que um novo padrão de educação se inicia e futuramente poderá se converter num padrão de resposta do cérebro(que estabelecerá novas sinapses e caminhos em função disso) - o ignorar. Vejo todos os dias pais ignorando seus filhos, negando-lhes atenção, negligenciando os olhos nos olhos. E por quê? Porque tem algo extremamente "interessante" no facebook, no instagram ou qualquer outro caça-níquel de tempo. Sinto tristeza e impotência de ver crianças aprendendo com os exemplos dos pais que ignorar as necessidades (ainda que seja de atenção) é aceitável. Esses serão os futuros cuidadores dos que hoje têm a missão de educar. Que mundo estamos construindo? De que forma estamos moldando as mentes futuras?

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